Saturday, December 06, 2014

QUASE TE AMEI MIÚDA!

                                                                            A uma Tânia


Quase te amei segredo
nas noites cúmplices
andando a Mutamba escura                  
remorsos, sobes e desces
em eterna busca-procura
procurando-te os olhos cor gemido.

Quase te amei miúda
esgravatando eternidades adentro
ruídos calemas mar
a dialogarem-me a voz do luar
caramba!, é gaja noite da vida
vasculhando a palpitar-me dorido centro.

E sonhar-te de bicos finos manteúda!
Avenidas prostitutas palpites
maldizendo-te caramba, negócios
merda avenidas e andanças, miúda
meu mar oceanos e silêncios
nas rodas solitárias das noites.

Teu ventre a tremer-me espasmos
Marte Júpiter Saturno Vénus…
a trotarmos galáxias e céus:
a infinidade, minúcias d’orgasmos
detritos, gargalhadas cristalinas
esvaídas na Mutamba das esquinas!

Quase te amei miúda
o destino na voz do teu universo:
sou tudo de todos, arco disperso
nas avenidas da ilha defraudada
uma estrada prostituta à noite
uma janela um telhado aberto convite.

Quase te amei miúda
e sonhar-te de saltos-altos manteúda!


Décio Bettencourt Mateus in Os Portões do Silêncio.

Luanda, 01 de fevereiro de 2010.

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